VIAGEM AO IMAGINÁRIO DE HORÁCIO COSTA

Claudio Daniel

Ravenalas é o mais recente livro de poemas de Horácio Costa, publicado pela editora Demônio Negro. A obra reúne peças escritas entre 2004 e 2008, inseridas na ordem cronológica em que foram escritas, e não agrupadas em séries temáticas ou estilísticas. No prólogo escrito para a obra, diz o autor: “Há núcleos temáticos, formas e sentidos recorrentes, nexos, reaparições, que o meu leitor estabelecerá com outras partes de minha obra poética, ou mesmo crítica: ça va de soi. O que me propus fazer ao dispor estes poemas em forma rigorosamente cronológica é arriscar deixar claras às descontinuidades, a porosidade do (meu) processo poético, sua irremissível desorganização, sua lacunaridade; deixar claro, enfim, o seu, digamos, intrínseco babelismo”. Ler mais »

 

Ensaio fotográfico

Ensaio fotográfico de Marlova Aseff Ler mais »

 

OUVIDO NA CONCHA, NA CONCHA DO OUVIDO

Existe algo entre os setenta e poucos poemas de Raro mar (2006) de Armando Freitas Filho e o mundo a que estes poemas se remetem. Como se a construção poética - cada vez mais refinada neste autor que, depois de 40 anos de escrita, está em plena forma - não podendo captar a experiência vívida e imediata apontasse, muitas vezes, para as interdições que separam sujeito e mundo[1]. Deste modo, o céu azul com nuvens brancas - imagem de sublime contemplação - surge na tela do computador em “Firmamento”, a morte é transmitida em código por celular “rascante, funkeado” em “Morro”, e o dia indigesto entorta drasticamente a noite em pensamento em “Noctívago”. Ler mais »

 

A MÁQUINA LÍRICA SE ARMANDO

Claudio Daniel

Mr. Interlúdio, de Armando Freitas Filho, é uma notável síntese de lirismo e construção formal, expressão subjetiva e invenção de linguagem. Publicado pela primeira vez em 1979, no livro A mão livre, esse poema foi reeditado em 2008, na forma de plaquete, com tiragem de cem exemplares e projeto gráfico de Sérgio Liuzzi, a partir de um desenho do próprio autor (que fez, com a mão esquerda, uma caricatura de si mesmo, numa representação irônica do próprio discurso). Ler mais »

 

Diário da Corte dos Bourbons – 1

Alckmar Santos

“A foto e o romance moderno”, mais ou menos o título da conferência de Antoine Compagnon, no Institut Français de Madrid, no dia 4 de março, 19h30min. Pessoas chegando em cima da hora, hesitação dos diretores sobre onde colocar a platéia: pouca gente para o anfiteatro originalmente pensado para a função; gente demais para a pequena sala onde fomos espremidos e de onde tivemos de sair para… o anfiteatro. Não sem ouvirmos o apelo do diretor para nos sentarmos todos perto do palco. O que vale é o registro do vídeo mostrando, em campo reduzido, as poltronas todas ocupadas; as vazias, ora!, essas ficam fora do campo de visão! Ler mais »

 

Arte Sacra Memorial

Arte Sacra

Arte Sacra

O que fiz foi visitar a expoisição que está acontecendo no Memorial da América Latina, sobre Arte Sacra.

Arte Sacra na América Latina, claro.

Essa ilustração que vocês estão vendo é minha impressão do que está lá, e vejo isso como crítica. Ler mais »

 

Valsa com Bashir

Apesar da repercussão tímida na crítica brasileira, Valsa com Bashir, do diretor israelense Ari Folman, leva a animação adulta ao patamar de obra prima.

Andréa Catrópa Ler mais »

 

A arte de produzir efeito sem causa

Realidade em pane

Em A arte de produzir efeito sem causa (Companhia das Letras, 2008), quarto romance de Lourenço Mutarelli, vemos pela primeira vez o autor experimentar a terceira pessoa. http://www.nupill.ufsc.br/diacritico/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gifApesar disso, o olhar de fora não o afasta de uma estrutura centralizante de literatura. Ao contrário disto, acompanhamos em todo o romance Júnior, que após ser traído pela esposa com o filho de seu amigo, resolve largar a vida que vivia e voltar para a casa do pai. Nesta casa, conviverá com o pai e com sua inquilina, Bruna, uma estudante de arte. Lá Júnior vai se tornando apático: recusa-se a voltar a trabalhar e fica a maior parte do tempo no sofá do pai, “a parte do mundo que lhe cabe”, mas mantém, curiosamente, certa ligação com a estrutura social em que estava inserido, que se mostra quando pensamos nos números de série de partes do carro que são distribuídos pelo livro. Ler mais »